domingo, 21 de fevereiro de 2010
Música para seu prazer
http://www.youtube.com/watch?v=tAjFnJuk1Aw
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
A natureza e o homem
Vamos pensar juntos. Para quê devemos preservar o meio ambiente? Alguns dirão: para salvar os animais e plantas da extinção; para salvar o planeta! Essa de salvar o planeta é a melhor. É muita pretensão dos seres humanos tentar "salvar o planeta". Ele está aí há bilhões de anos... e nós? Basta ler a superinteressante ou qualquer outra revista pseudo-científica para saber por quantas catástrofes naturais ele passou, e esta aí, deslumbrante como sempre. E o homem, ser ínfimo e passageiro nesta grandeza inalcançável para ele, se achando o "dono da situação". O que manda na situação hoje é o poder do dinheiro. A ganância do ser humano o colocou numa posição de estupidez diante da vida, e agora, mesmo sabendo que neste ritmo ele está condenado a entrar pra lista dos animais em extinção, continua procurando discursos bonitos para justificar as medidas desesperadas em busca da sustentabilidade.
O que falta no mundo é humildade, de admitir que a humanidade com todo seu arsenal tecnológico é incompetente até para gerir a própria vida. Olho para minha casa e vejo TV, DVD player, microondas, computador, celular, enfim, uma parafernália que a maioria de nós hoje pensa ser essencial, geramos lixo radioativo o tempo todo, poluímos, devastamos florestas para criar gado, construímos barragens desapropriando pessoas, não só de suas casas, mas do seu lar, sua cultura, suas terras sagradas. Vendemos água, como se ela pudesse ter proprietário. Compramos e vendemos pedaços de terra, alguns de nós "possuem" grandes extensões dela, enquanto a maior parte das pessoas do mundo não têm o mínimo necessário para sua sobrevivência.
Eu acredito na utilidade da tecnologia, mas precisamos direcionar nossos esforços não para construir armas, mas soluções para fazer com que o planeta continue habitável.
Sei que não escrevi nada de novo, mas nunca á demais falar sobre isso. A minha contribuição é a seguinte: Deixar a hipocrisia de lado: Nós temos que cuidar do planeta porque ele é nossa casa! Temos que cuidar porque senão nós é que estamos condenados, não os bichos, nem as plantas, mas nós! Assim, todas as formas de vida também serão poupadas. Acho importante o trabalho dos que se dedicam à preservação, mas há muitos picaretas neste meio também.
Costumamos falar da pouca vergonha dos nossos políticos. De jeito nenhum vou defendê-los! Sei que existem alguns com bons projetos e boa vontade, e o resto do lixo que insistimos em colocar no poder. Mas pelo mundo existem milhares de pessoas sem escrúpulos, comandando exércitos, grandes corporações e até países. O que fazer, então? Ficar sentado assistindo a Globo e criticando? É o que a maioria faz, como se isso resolvesse alguma coisa. Que tal dar uma banana para a Globo, e para a Record e outras porta-vozes da elite. Ficamos compactuando com os discursos daqueles que nos massacram, pensando que somos iguais a eles. Não somos! Somos eleitores, pagadores de impostos, sem teto, sem terra, sem dignidade. Enquanto não entendermos nosso lugar neste mundo injusto, nada faremos para torná-lo mais justo. Sem ação, teremos mais alguns séculos de fome, guerras e dor... só isso. So... move yourself! Do anything, wakeup!
sábado, 24 de outubro de 2009
Até onde é só dor e até onde é só prazer?
Forma meio crua de iniciar um post que vai tratar do nascimento da minha neta. Mas como a metáfora é historicamente a tábua de salvação de qualquer revolucionário, aqui a utilizo como introdução, ao prazer e à dor de ser mãe. Dizem que avó é mãe duas vezes... mentira... mas não deixa de ser mãe quando é avó... então, olha a dor e o prazer aí.
Nasce Sofia! no dia 29/09/2009 às 9h4min. O que me surpreende nesta data e hora, não é a persistência do 9, mas as presenças dos 2 e do 4. Se alguém está pensando que vou falar sobre numerologia, se enganou. Sou cética.
Mas por outro lado, não tem como não admirarmos as ironias do acaso... a beleza de como se harmonizam nesta data números - escolhidos arbitrariamente pelo homem para criar um sistema arbitrário de medição do tempo - enfim, mas a coincidência! A coincidência desses números, mostra um pouco matematicamente (melhor que numerologia...), que é difícil se conseguir um todo homogêneo nas configurações do mundo, há sempre a presença do diferente, da minoria...
Por que não poderia ser uma data perfeita? Eu respondo: Porque o perfeito não é o igual... o perfeito é o diferente, é múltiplo, é livre, mas dependente e se inter-relaciona com o outro e nele se enxerga e reflete sobre si.
Este é o mundo de Sofia! Não o livro, mas a realidade, a vida que espera por Sofia nos primeiros raios de luz racional. O termo sofia vem de sophia ou outra grafia que não conheço, mas remete ao significado de "sabedoria".
Que assim seja! Que a sabedoria seja presente na vida de Sofia. Mas se não for presente, não diminui a beleza do nome, e Sofia será feliz sonhando alto ou baixo, querendo muito ou pouco, quem sabe querendo nada? Inaugurando a liberdade verdadeira? Não importa! O importante é que Sofia está neste circuito e terá o prazer de conviver com pessoas especiais como são seus pais e avós.
Eu acredito que a vida de Sofia não será um mar de rosas, pois aqueles que pensam e se percebem em si desde cedo, percebem também as máscaras que encobrem outras realidades. Máscaras representadas pelo programa de tv, pelo coelhinho da páscoa ou pelo papai noel, junto de uma árvore natal, artificial, cheia de algodão pra parecer que é neve.
Minha neta saberá das histórias por trás das histórias, vai entender e criticar desde cedo aquilo que couber à sua leitura de mundo. Vai entender que seu papel no mundo não é estático ou de contemplação, mas de ação, de construção!
Ficou parecendo que vou doutrinar a menina? Ao reler também me pareceu isso. Mas não se engane. Há maneiras possíveis de se fazer isso, com amor, honestidade e humildade. Não precisamos dar um choque na criança que acredita em papai noel, basta comentar a origem do termo, porque se criou sua imagem daquela forma, enfim, a informação sem paixão. Isso permitirá que a criança escolha, conscientemente, se quer acreditar ou não. E se quiser acreditar, vai saber que é um jogo metafórico, confortável, agradável para ela, mas que não passa de um jogo. Lá no fundo ela sabe que papai noel só existe como ente de razão e representação teatral.
Soltam-se as amarras, e Sofia pode voar livre e viver todas as suas potencialidades. Acreditar ou não, se inserir ou se afastar... enfim... fico pensando se uma criança criada dessa forma, sentiria vontade de se afastar, de recusar a informação, de não querer um olhar mais abrangente, que permitiria a ela enxergar verdadeiramente o que a razão alcança, será que se afastaria?
Bem vinda, Sofia! Num mundo bacana, avançado filosoficamente, autêntico, misto, uno.
domingo, 5 de abril de 2009
De como somos diferentes
Tolerar o diferente, não consiste tão somente em ignorar aquilo que incomoda. Consiste em empatia, respeito. Mesmo que a opinião seja essencialmente diferente, é um grande exercício de humildade, construir o percepção a partir da visão do outro, perceber o que motiva aquele comportamento ou linha de pensamento.
Fácil não é. Entender o ponto de vista do outro, mais que isso, ver através dos olhos do outro, implica despir o nosso próprio. Desconstruir o conhecimento, num plano hipotético, e depois reconstruir em outras bases, levando em conta a formação, a história de vida. É claro que não temos todas as informações necessárias para isso. Não estamos na pele e nos falta a memória do outro, mas temos pistas. Aí é que a idade faz diferença. Só podemos perceber as pistas através da experiência. Possuímos um vasto arquivo de espécies de indivíduos e seus comportamentos, suas histórias e com base na observação e comparação, podemos classificar o diferente.
Conhecer um pouco da pessoa também é necessário, mas temos que levar em conta que completos desconhecidos não necessitam da nossa tolerância.
Enfim, perceber a partir de outro prisma nos ajuda a entender, por exemplo, a postura dos mais velhos, as bases do conservadorismo. Ajuda a entender até o criminoso, o que o leva a cometer atos violentos.
Senão vejamos. O sujeito que viveu nas ruas, que queria sobreviver, que desde criança é vítima da violência e da fome. Que aprendeu a pedir, e quando não foi suficiente, aprendeu a roubar. Começa com a comida. Mas aí vem a técnica, a facilidade de subtrair. Não pode confiar em ninguém. Aquela mulher de rua que teve piedade dele, e dividiu a comida um dia, no outro tinha fumado craque e roubou dele, o pouco que tinha. Não há amigos nas ruas... não por culpa deles, mas porque ali é a selva, os fracos sucumbem, rápido...
Pois bem, que tipo de ser humano será esse? Ele não teve a menor oportunidade de conhecer o amor, principalmente aquele desinteressado, como o da mãe. Como pode ele oferecer aquilo que não conhece? É como pedir ao homem, que aceite a morte com alegria.
Quanto à violência. Como a vemos hoje? Como algo totalmente inaceitável? Ou algo necessário para eliminar maus elementos e fazer uma limpeza social? Quando ficamos sabendo que morreu um bandido de alta periculosidade, não sentimos uma certa satisfação? Pois bem, é porque a gente se acostuma. O ser humano se acostuma a tudo.
Imagine se a sua realidade, for a daquele menino, que acorda com um defunto do lado, morto na madrugada. Aquele que, talvez, tenha ele mesmo tido que matar para não ser morto? Aquele que sente ódio de polícia, pois são os que batem, prendem, desaparecem com os mendigos. Aqueles que impunham armas, e por causa delas estão acima daquela gente. São os donos do mundo.
E o indivíduo cresce, e é rapidamente cooptado pelo tráfico. Sua vida, até então sem sentido, muda! Ele agora é alguém, necessário, até mesmo respeitado. Tem seu próprio dinheiro, sua arma! Está de igual pra igual com a polícia... "que venham agora os filhos da puta!"
Ele agora é gente. E a sua frieza (fruto da dura vida nas ruas), agora se evidencia e o torna importante no morro. Ele tem todas as chances pra se tornar grande no tráfico. Tem chance de ter sua própria boca, e o poder. Quando é abordado por uma ONG, e convidado a praticar um esporte, sair das ruas, ele responde: "O mundo de vocês não me aceitou quando eu estava nas ruas, vocês passavam por mim e nem me viam, ali, com 6 anos, morrendo de fome, querendo um olhar, às vezes só o olhar de piedade bastava. Mas naquele tempo, pra vocês eu era nada. Agora que estou aqui, entre os meus, tentando sobreviver com os restos que vocês nos jogam, agora vocês vem me oferecer "algo melhor"? O mundo de vocês não existe! É só uma ilusão de menino, que imaginou um dia poder experimentar o outro lado, que pensou que teria a chance de comer duas vezes por dia, deitar num colchão de verdade, não mais passar a noite acordado, tentando se embrulhar numas folhas de jornal, pra não morrer congelado."
E eis aí o perfil do bandido. Ele tem consciência social, ele tem o cuidado de não deixar sua comunidade desamparada, e ele está convencido, de que a vida é exatamente daquele jeito: uma guerra que ele começa a enfrentar desde criança, ao lado dos sobreviventes, contra os algozes.
E nós somos os algozes! Por mais que tentemos ser os injustiçados sociais. Não! Este posto não nos cabe! Nós somos a parte que deveria fazer alguma coisa, mas não faz! Nós somos os intelectuais, os formadores de opinião, que ficamos aqui no nosso cantinho, cheios de informações, cheios de teorias sociais, que só servem a nós mesmos.
Não sei porque enveredei por este assunto... eu estava falando de tolerância e de repente me surpreendi, indignando-me comigo mesma...
Será que a tolerância com os outros, tem essa função de nos fazer indignar com nós mesmos?
Será que a empatia nos faz concordar com o outro e entender que os errados, na verdade, somos nós?
Eu digo que sim! Mas digo também que, no caso de você chegar à conclusão, depois de análise, que realmente não concorda com o outro e deve refutar, sua argumentação estará totalmente fundamentada, inclusive com o discernimento de quão frágil é a opinião ou a base do comportamento do indivíduo.
Para conhecer, é necessário mergulhar. E a tolerância depende desse conhecimento.
terça-feira, 31 de março de 2009
CONHECIMENTO X HUMILDADE
Fico imaginando o que aqueles anos todos de graduação, pós graduação, mestrado, doutorado, fizeram a este indivíduo, descobrindo o quão maior é a parcela daquilo que não conhecemos em relação ao nada que conhecemos. Percentualmente isso nos coloca bem próximos daqueles que erroneamente são taxados de ignorantes. Será que isto não é suficiente para nos dar um pouco de humildade?
Mas temos mais lições não aproveitadas: na academia discute-se muito a igualdade. Num curso de ética, então, refletimos sistematicamente sobre o que pode nos levar a um bem maior. O respeito com o outro também é um assunto amplamente discutido.
Não fosse só isso, reflitamos sobre a noção do espaço que ocupamos na história. Quem conhece a história, sabe que participamos de um ínfimo de tempo, comparado a toda a existência.
Esquece-se, às vezes, que representamos muito pouco na sedimentação do conhecimento. Que o tempo que passamos aprendendo restringe em quase nada o tempo que despendemos com construção de conhecimento para as novas gerações. O que faz com que a contribuição de cada um seja como o grão de areia passando pelo estreito da ampulheta.
Penso que um intelectual pode ser orgulhoso, ter a ilusão de ocupar um status privilegiado. Mas aqui entra aquela observação aparentemente maldosa do início do texto: o pseudo-intelectual!
Quem se diz "ultraconservador" e faz um uso tão fervoroso da internet, a ponto de admitir ser adepto do: "de graça até injeção na testa", mesmo que isto represente um prejuízo para quem está sofrendo com a pirataria, um intelectual que não respeita o bem intelectual do alheio, como pode ser levado à sério? Como podem dois valores tão distintos habitarem o mesmo ser? E como se poderia fundamentar tal discrepância numa mesma corrente de pensamento? Eis o que eu penso ser um desperdício de impostos: permitir a formação um indivíduo desses numa universidade pública(que mais tarde ele irá criticar). A dor maior é perceber que este sujeito ocupa uma cadeira como professor em uma universidade. Um formador de opinião que no máximo formará bossais. Foucault que nos ajude!!
terça-feira, 24 de março de 2009
Postar rápido pra não esquecer!! A memória já não é a mesma...
Enfim, enveredamos pela explanação de Foucault (na verdade o livro é a transcrição de suas aulas) sobre a origem do termo através da filosofia antiga, utilizando-se de passagens do que se escreveu sobre a vida de Sócrates (séc. III a.c).
Como diriam os fãs da Cannabis: - Que viagem!!!
A riqueza do conhecimento está nas entrelinhas, nos contextos, na realidade daquele tempo que permeia o pensamento do filósofo e o faz retratar seu modo de vida através das teorias que formula.
Enfim... não vou explicar aqui sobre o que trata o "cuidar de si", mas vou retratar a vida do povo grego, mais especialmente o homem grego, que mantinha escravos, subjugava as suas mulheres e filhos, e, principalmente, mantinha relações sexuais com outros homens, e a única garantia de o indivíduo ser heterossexual, era sua condição de "ativo".
Jogos de sedução eram comportamentos masculinos. Favores sexuais serviam de base para a educação dos mais jovens (e belos), pois de outra maneira não poderiam penetrar no mundo adulto. E também não teriam acesso à educação - que naquele tempo era elitizada (tem coisa que não muda!). Enfim, essa sociedade estranha e ao mesmo tempo tão familiar é o berço da filosofia!
Mesmo com toda essa diferença cultural - que se pensarmos bem não é tão diferente assim - os pensamentos daquela época, servem até hoje como base de estudo para novos postulados filosóficos. Sinal de que havia lógica! Prova disso é que, apesar de contextualizado em regras sociais insólitas, conseguia se distanciar e mostrar-se universal, atemporal.
Antes de terminar, quero falar sobre Sócrates, que como bom filósofo, não se envolvia sentimentalmente - se é que se pode dizer assim - com nenhum de seus discípulos. Eis aí um homem disciplinado! Não conheço sua vida pessoal, mas sei, através de relatos de Platão e outros seus contemporâneos, que ele não misturava trabalho com diversão! (pelo menos um com a honra lavada...)
segunda-feira, 23 de março de 2009
A vida não para de surpreender!
O que me faz pensar nas outras fases pelas quais passei. Será que foram mesmo escolhas minhas? Até onde realmente controlamos nossas vidas? Eu já me professei sartriana, o que significa que acredito em um "certo" controle das consequências. O que me leva a pensar, então, sobre até onde eu interferi ou escolhi esse novo estágio. Aí tudo fica mais claro!
A consequencia não é imediata. Como todos os processos, o da vida tem seu tempo de amadurecimento, e resposta. Não sei se essa minha crença é verdadeira (ultimamente sinto que estou sabendo cada vez menos), não sei se existe mesmo esse poder individual sobre a realidade, mas prefiro continuar medindo, pesando, analisando cada decisão que tenho que tomar... não há garantias de que exista mesmo uma construção do caminho, mas se não me deixo dominar pelos dogmas religiosos, se os padrões sociais dificilmente me atendem, se as próprias leis nem sempre estão a meu favor (egoísticamente falando), como buscar alguma segurança? como fugir da ideia de que a vida pode ser um carro desgovernado?
Quanto mais penso, mais entendo que nossos valores são mesmo intrínsecos, que o bem é imanente ao homem, que mesmo sozinho, sem um manual, uma bula, um preceito metafísico, sem nenhuma tábua de mandamentos para se firmar, o homem consegue buscar dentro de si suas respostas. Não posso aqui me distanciar do indivíduo que, sem um mestre, se viu perdido na desumanidade da humanidade, não posso me esquecer de que as regras nunca valem para todos. Mas prefiro acreditar que o ser humano perde o equilíbrio, não nasce desequilibrado.
Sendo assim, admito mais uma vez que minhas escolhas, mais o resultado das escolhas do outro, trouxeram-me à mais nova condição em que me encontro, a de futura avó!
Estando eu, sentindo-me tão responsável quanto aquele espermatozóide, sinto-me também tão feliz quanto ele ao cumprir sua missão. Sua essência é a continuidade, e acho que a minha, na condição de mulher, também. É o meu sangue que se renova e se mistura, e ao se misturar, enriquece, leva consigo uma história, uma cultura, lembranças de vários povos, que um dia se uniram nas mais diversas condições. Esse gene único e multifacetado é minha herança, e espero acompanhar essa nova vida, como se fosse a minha própria.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Rever velhos amigos
Por mais diferentes que sejamos dos amigos, amigo de verdade sempre tem algo em comum, nem que seja a mesma piada batida, o mesmo desejo de enlouquecer, compartilhar a loucura.
Os amigos mudam, temos que nos acostumar as mudanças, porque também nós mudamos. Mas o estranhamento é prazeroso, aproveita-se a nova informação a nova maturidade, para aproveitar a companhia em outro nível.
Sempre há lugar em nossas vidas para os velhos amigos, aqueles que se mudaram, que nos mudaram, aqueles que mesmo distantes, andaram ao nosso lado.
A tecnologia tem seu lado negativo... lembra dos velhos que usam a internet como um correio moderno? Às vezes é bom entender esse desejo de distância, aquele que, somente ele, pode acionar a saudade. Quem é feliz sem sentir saudade de alguém? Daí você manda um scrap, um e-mail, um depoimento que sempre depõe a favor... argh!!!
Quero a saudade de volta, com todas as suas lembranças, quero a alegria e a surpresa de ver que o cabelo cresceu, que a pessoa engordou, que aprendeu, que experimentou algo novo, e que generosamente vai dividir com você. Como isso é possível se você conversa uma vez por semana pelo msn?
Enfim, que possamos selar mais cartas, sentir mais saudade, sofrer com a distância e, principalmente, regozijar com o reencontro.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
HEIN?!
Infelizmente tenho sido vítima do novo mal que controla o mundo: a tecnologia! Depois de tanto tempo off, volto a postar e exercer a atividade que mais me dá prazer, escrever.
Consegui, mesmo com tantos recursos, perder todos os dados de um pc
moribundo... inclusive um livro que tenho maieuticamente concebido... Ainda bem que o cérebro, mesmo que por caminhos tortuosos, não nos deixa na mão. E, como disse um amigo, a vida é assim mesmo, renovação, perdas e vitórias, enfim... é aquela velha história de tirar proveito das situações difíceis - finalmente vou adquirir um notebook.
Bem... assim que voltar de férias atualizo o blog com algo mais proveitoso. enquanto isso, seguem dicas de blogs para seu prazer!
www.ocioso.com.br
www.jacarebanguela.com.br
Enjoy it!
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Metalingüística
terça-feira, 7 de outubro de 2008
O medo
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Ah..O curso superior... quantas emoções!!
Desses que desejam, menos de trinta por cento vão chegar lá. Digamos que você tenha sido um dos felizardos, me diga se você passou pelo que vou descrever agora:
Dos 5 aos 16 anos você teve no mínimo 3 respostas diferentes para a fatídica pergunta sobre suas pretensões profissionais. Você começou com um curso maravilhoso, mas cuja renda proveniente dele faria com que sua classe social fosse pouco melhor que a dos miseráveis, como por exemplo, pintor! - depois que alguém elogiou aqueles desenhos garatujados que vocês fez no jardim II, ou ator/atriz ou cantor(a) porque você se saiu bem na gincana da escola. Depois vem a segunda escolha. O curso que deixaria seus pais orgulhosos, afinal, seu pai é advogado, seu tio é advogado, seu irmão está terminando a faculdade de direito, mas ele quer ser juiz - E você?...talvez administração, se o seu pai for dono de uma loja.
Mas quando vai chegando a hora da decisão... aquela hora em que você tem que pensar no que efetivamente vai fazer para o resto de sua vida, afinal, fazer um curso superior já é difícil, pense em testar... fazer dois ou três para depois escolher um deles.
Assim, você se vê obrigado a procurar... no seu interior, na opinião dos outros, nos testes vocacionais da internet... qual é mesmo sua vocação. "Das coisas que eu gosto, qual é a que mais me agrada?". "De quê eu nunca enjoaria?". "O que eu vejo antes de outras pessoas? O que salta aos meus olhos e rouba minhas horas livres para pesquisas incessantes? Que assunto desperta minha atenção na conversa dos outros?"... enfim, o que corre no seu sangue?
Daí é inevitável, desagradamos oitenta por cento dos parentes e agradamos noventa por cento dos amigos! Eis que escolhemos nossa profissão! Não vai ter emprego garantido, não tem estágio remunerado, não tem garantia nem de um bom salário, mas é o que você nasceu pra fazer.
Muito bem! curso escolhido, agora vem a escolha da instituição - como se tivéssemos muitas escolhas! Nessa hora a pergunta é: eu posso pagar uma particular? Ou vou ter que me acabar de estudar para passar numa pública? - Fazendo essa pergunta, você já elimina metade das instituições! Só restam duas, e as duas são na sua cidade, ou na cidade vizinha... porque ficar longe dos pais, correndo o risco de ficar sem dinheiro, nem pensar.
Agora, o vestibular! No ensino médio só se falava nele... nele e no mercado de trabalho, "cada dia mais exigente"! A pressão era tão grande que era quase como esperar uma cerimônia indígena de passagem, cujo debutante ingressa no mundo adulto em cima do formigueiro de lavapés.
Estudar para o vestibular vira obsessão. Pois de outra forma, os apelos de "namorar", "sair", "curtir", "viver..." ganhariam disparado o espaço do vestibular em sua mente.
A tensão é tanta no dia anterior às provas, que você perde o sono, recuperando-o milagrosamente às 5:00 da manhã, e quando acorda descobre que dormiu demais. Sai correndo, passando mentalmente a listinha de objetos que você tem que levar: identidade, cartão de inscrição, caneta azul ou preta... quase consegue chegar atrasado e se livrar daquela agonia. O desespero chega pelo segundo dia de provas, quando você se dá conta de que grande parte do que está caindo, parece fazer parte de estranhos ensinamentos de um planeta distante e ainda não explorado.
Sua sorte é que o que tem peso para o seu curso, é justamente aquilo que você gosta, assim você consegue passar em quadragésimo primeiro. Como o curso só oferece quarenta vagas, você fica rezando pra que alguém desista... Por algum milagre, resultado da novena que sua mãe mandou rezar, você é chamado!
É tanta alegria, que nem a situação vexatória a que você foi submetido por um trote de mal gosto, lhe fará perder aquele ar de "faço parte de uma pequena elite de gênios que passam no vestibular".
O curso começa. Você pega todas as disciplinas possíveis! Quer aprender logo... depois desiste de duas porque não deu conta.
A primeira sensação nesse novo ambiente é de liberdaaade... bem diferente do colégio onde tínhamos que pedir licença para sair, até para ir ao banheiro! Mas aí vêm outras sensações, quais sejam: responsabilidaaaade, dificuldaaade (média agora é no mínimo sete).
É a época em que até pode rolar um violãozinho no pátio do Campus, mas você nunca tem tempo de parar ali... você não entende como é que os "cantores" dão conta de estudar e tocar violão... daí você descobre que eles já estão prestes a jubilar...
Depois de 4 anos e meio - um semestre a mais para poder pagar as disciplinas que perdeu - você consegue finalmente se formar. Por essa época sua família já aceitou sua "profissão"... tem até o tio que prometeu levar seu currículo para um conhecido dele...
Aí vem o "Baile de Formatura!" Quantas apreensões... se pudéssemos ir ao baile sem levar a família, para evitar aqueles micos de sempre... mas, é hora de festejar, de deixar o orgulho de lado e conceder aos parentes a última oportunidade de te humilhar em público. O lado bom é que seu irmão mais novo está ansioso para seguir os seus passos, e você, de forma alguma irá prepará-lo para o que o espera... ele vai ter que sofrer sorrindo, como você tão bravamente fez!
Formado e congratulado! Você agora passa de Estudante Universitário para... desempregado!
Depois de esgotar a lista de prováveis empregadores, você começa a baixar o nível de exigência e aceitar a sugestão do irmão mais velho - que até hoje não passou na prova da OAB - e vai procurar emprego nas firmas do bairro.
Exatas duas semanas depois de ter lhe abraçado e chorado tanto na sua formatura, sua mãe lhe acorda de manhã com um tapa na cabeça e a expressão: "Vai procurar emprego, não? vagabundo!"
domingo, 28 de setembro de 2008
Mais um poema para seu deleite...
A cada dia vejo
Vejo meus sonhos passados
Se realizando em outras vidas
Vejo o chão com mais clareza
O esqueleto das folhas perdidas
Sem alma, nem coração
Sigo remando nos mares bravios
E quanto mais me esforço
Mais vejo o centro girando
Nos redemoinhos
Quero o último trago
O último afago
Quero o último suspiro
Enquanto me vejo, sorrio
Quero tudo que foi perdido
Outra vida me protege
E eu a arrasto comigo
Pelos escombros da minha falência
Pelo ritmo da minha existência
Para o vazio do precipício
Nas sombras sou menos eu
Jogado às delícias do vício
Levado à deriva das ondas
Puxado de volta ao início
Autoria própria
terça-feira, 23 de setembro de 2008
INTERNET - A COMUNICAÇÃO DIGITAL PARA JOVENS E PARA VELHOS
Os jovens já entenderam que o mundo digital é parte integrante e necessária do mundo físico, é um complemento no relacionamento com amigos. A mensagem ali é mais transada. Lá, somos todos iguais... eu que nem sou bonita, posso ficar mais bonita que você, se meu emoticon for mais fofo. A identidade ali muda... somos "Nick", "Nicole", HCasado36... ops! isso é no chat da UOL!
Enfim... nomes bonitinhos, BuddyPoke todo rosa combinando, quase um Second Life dos sonhos... Isso tudo faz com que os jovens sejam uma grande tribo e criem cada dia novos códigos de linguagem, na mesma velocidade em que a tecnologia cria novos componentes e sistemas e MP15's.
A relação das pessoas mais velhas... não aquelas que nunca quiseram aprender a "brincar com esse negócio", mas aquelas que se dispuseram a aprender, a conhecer, e com essa atitude descolada passaram mesmo a gostar do mundo digital, das melhorias na máquina de escrever, no tanto de gravura que tem pra fazer papel de carta. "E olha que maravilha, até consigo mandar uma carta pro meu filho sem lamber um selo!" Realmente, facilitou a vida dessas pessoas. Mas será que essa relação é mesmo séria como é para os jovens? Será que essa máquina é mesmo tão necessária na vida dos mais velhos? Ou não são levadas a sério, como se fossem outra "moda passageira"? Vocês já viram alguma velhinha deixar um recado assim no orkut da amiga: "Oi miiiga, passei só pra deixar um monti di beijinhuuuuus"?
Não! Ela não deixa scrap, ela mal e mal conversa no msn. Ela gosta de mandar e-mail... eventualmente... perguntando da família toda e terminando com "Envie lembranças...". Ela não quer esse ritmo frenético da internet, ela quer o tempo que o correio demora pra entregar. Ela não quer conversar todo dia, passar mandando beijinhos, mandar um Netcard. Ela quer o poder da distância! Quer saber que o parente está longe, e que de lá de tão longe, ele não pode chegar de uma hora pra outra, nem conversar todo dia. Ela quer de volta a saudade...
sábado, 20 de setembro de 2008
Entrelinhas
http://www.youtube.com/watch?v=WNduxoWw7-U&feature=related
Impressionada com a sacada que é esta música. Escrita por nada menos que Caetano Veloso, somos transportados a um ambiente e som tipicamente americanos dos cantores românticos da nova geração, e, de um momento para o outro, abruptamente, nos deparamos com uma típica história baiana, de musicalidade e sertanismo.
Essa bela surpresa aliada à voz jopliana de Nikima, desperta aquela sensação de brasilidade, de orgulho de poder compartilhar tanta cultura, tanta info-informação.
A forma como se conta a história da banda, e de como a música, que provavelmente é mais antiga que a banda, conta sua história como se adivinhasse o destino de quem lhe emprestaria a voz. Ou então atráves das ondas esotéricas curtas e médias, incentivasse telepaticamente as ações dos membros da Scambo! Mostra como a música baiana e a música nordestina têm quebrado as barreiras do preconceito e tem se infiltrado nos ambientes de bom gosto dos intelectuais modernos. Mas não com as vozes já elitizadas de Chico, Gil e até mesmo Caetano. Mas na voz dos novos ares, ares que misturam reggae, música regional brasileira - que é a nova popular, porque popular hoje em dia significa música ruim, brega, com letras apelativas e somente percussivas - e os melhores ritmos estrangeiros como jazz, soul e blues music.
Assim, tudo que já se viu de arranjos inovadores, panelas e moringas, sementes e sons plásmicos em meio aos instrumentos de percussão é superado e intrincado a algo inovador em termos de sentimentos provocados no ouvinte. Sentimos hoje coisas diferentes das que sentíamos com a forma pronta, com as identidades dos ritmos, com jazz puro, rock puro, mpb pura (que também pode ser chamada de bossa nova). A mistura de hoje dá o novo sabor, a nova interação, a nova metamorfose. Sentir essa ligação com a terra, sua origem, sua cultura, realmente sentir na espinha a corrente elétrica que nos liga com esse nosso substrato, é algo ainda não experimentado, principalmente por mim, que nem baiana sou.
domingo, 31 de agosto de 2008
Filhos
Fico pensando nessa questão de educação, valores, tudo que devemos transmitir aos nossos filhos, com condições favoráveis ou não.
Penso que entender essa dinâmica não é muito fácil, tanto que inúmeros sociólogos, psicólogos, pedagogos têm formulado suas teorias ao longo do tempo, tentando encontrar respostas para nossos questionamentos diários.
Eu me arrisco a analisar minha própria infância e adolescência, em busca de saídas para os impasses que se me aparecem na criação da minha única filha. Confesso que cheguei a mais perguntas que respostas... mas mesmo as perguntas nos ajudam a entender, vamos a elas:
Você gosta da forma como foi criado(a)?
Que mundo lhe foi oferecido pelos seus pais? Você foi exposto a quê, quando era criança? Contos de fadas? Até que idade? Violência (proveniente de programas de tv sensacionalistas, ou de sua realidade)? desde que idade?
Quando você assistia tv, ou lia um livro, havia acompanhamento dos seus pais? Eles lhe ajudavam a entender aquela informação? Lhe ensinaram a questionar? Lhe ensinaram a pensar por si mesmo?
Seu pai sentava-se ao seu lado e comentava o filme que você estava assistindo?
Que tipo de pessoa você foi? Você podia brincar com meninos (se você for mulher)?
Com que idade você viu alguém do sexo oposto nu, pela primeira vez? Como se sentiu? curioso(a), enojado(a), assustado(a)?
Como os assuntos relativos a sexo foram introduzidos na sua vida? Naturalmente? Ou foi uma descoberta traumatizante?
Como eram seus limites? Você conseguia satisfazer sua curiosidade a respeito de assuntos "de adultos"? Ou tinha que descobrir com aquele(a) amigo(a) que tinha pais mais liberais?
A essas perguntas e muitas outras eu respondi, analisando minha própria criação. E me pergunto agora, em relação à minha filha. Não há uma fórmula. Mas há o bom senso e o amor, que guiam com maestria nossas decisões. Tenho tentado, ao longo desses 17 anos, intermediar o contato da minha filha com o mundo, sem privá-la de nada, mas sem exposições desnecessárias para seu crescimento. Hoje tenho orgulho dos resultados, que obviamente não são só meus, nem tampouco frutos diretos das minhas ações, mas no que tange a minha participação, e mesmo aquilo em que eu não participei na sua formação, meu orgulho é o mesmo.
Quanto ao futuro não há garantias, mas há probabilidades, e sei que é muito provável, que ela seja feliz. Saber disso traz toda paz que uma pessoa necessita.
Faça suas perguntas, responda-as para você, e depois para os seus filhos. Será que você não está cometendo os mesmos erros que seus pais? Ou será que você não está deixando de aproveitar os ensinamentos deles?
segunda-feira, 28 de julho de 2008
O outro lado de mim (Sidney Sheldon)
Seus best sellers representam a confirmação do gênio, depois de tantos sucessos no cinema, na Broadway e em séries de TV. Nascido Sidney Schechtel, teve uma infância dura, às voltas com brigas domésticas e falta de dinheiro. Com a vida ondulando entre grandes sucessos e pequenos fracassos, teve que lidar com mudanças de humor causadas por uma psicose maníaco-depressiva, e uma hérnia de disco que, eventualmente o tirava de ação.
Assim mesmo persistiu, deixou que as idéias fluíssem, ou as arrancou a força quando passava por momentos de depressão. Se obrigou a produzir, tivera dúvidas, inseguranças, mas foi firme quando precisou. Enfim, um ser humano talentoso, que nunca desistiu.
O que mais me chama atenção na vida de Sidney é a prova de que nenhum de nós tem muita clareza do que pensam a nosso respeito, e o mais importante, estamos sempre nos deparando com vampiros sociais, pessoas com auto-estima problemática, que muitas vezes refletem em nós suas frustrações e medos.
Existe uma diferença sutil entre aquilo que afirmamos por convicção, e aquilo que afirmamos com certeza. Por isso é tão importante fundamentar aquilo em que acreditamos. Há um exercício interessante de autoconhecimento e discernimento sobre se nossas convicções são plausíveis, ou apenas frutos da nossa teimosia. Sócrates (o filósofo) aplicava essa técnica para descobrir a verdade contida em cada pessoa, a maiêutica. Consiste basicamente em se perguntar, usando muitos "por quês" sobre a veracidade de um determinado assunto. Alguém tem a mesma opinião? Existe base científica? A aplicação desse pensamento é possível (entendendo-se "possível" com bastante amplitude) ? Enfim, que base pode-se encontrar para essa idéia?
É claro que essa técnica torna-se frágil quando falamos de arte. Os limites da arte nunca foram delineados, e a cada dia, para nossa sorte, algo completamente inusitado aparece, como resultado de uma intrincada formação ideológica, histórica e psicológica do criador. A isso atribuo as incertezas de Sidney Sheldon quanto ao sucesso ou fracasso de determinados trabalhos.
Aplicáveis em nossas vidas, existem as experiências do coletivo, com as quais fazemos contato através da convivência, nossa exposição à cultura, e principalmente, na descoberta fascinante de outras realidades por meio da literatura.
Nada há de mais enriquecedor e efetivamente eficaz no crescimento humano que a busca do conhecimento.
Hoje acrescentarei títulos à lista de obras (rodapé) para ajudá-lo a aumentar seu conhecimento, e principalmente sua tolerância ao diferente, ao contraditório. Boa leitura.
domingo, 27 de julho de 2008
Lembranças
Nossos devaneios orbitam nossa mente
É melancólica a reflexão
A respeito dos tempos idos
Teimamos sempre em lembrar
Daqueles momentos
Que mais gostaríamos de esquecer
Quando a culpa foi nossa
Quando o erro foi grande
Não foi dita a palavra
Não foi acalmado o coração
Lembranças são dores
Revistas e aumentadas
Incrementadas pela consciência holística
Doada pelo futuro
O quê de bom traz a experiência,
a não ser a grandiosidade
dos nossos erros passados?
Ela nem apaga, nem redime,
só acusa.
Somos cárceres dos nossos valores
que nos são ensinados
justamente por nossos inimigos
Os valores éticos
Servem mais ao outro
do que a nós mesmos
é a lei da convivência
Viva a sociedade moderna!
Autoria própria
Solto no mundo
Há milênios estou andando
e não paro, não paro
Nossa memória é compartilhada
No final somos todos um
Unidos pelo gene universal
Nos multiplicando, cada filial
Sem escolha, passado ou futuro
Levados pela corrente, vertente
Dois pólos do mesmo magneto
Transmudados pela evolução
Nessa busca de nós mesmos
Nos encontramos em todos os lugares
em todos os seres, somos um
gerados da mesma matriz
em busca, sozinhos
indivíduos coletivos da criação.
Autoria própria
comentários sobre O Caçador de Pipas
Uma história forte sobre amizade, amor, fraquezas humanas... Além disso, mostra a realidade no Afeganistão, antes e depois do "11 de setembro" e da impressão que o Talibã deixou com seu domínio.
Como sempre, é importante sabermos a realidade dos indivíduos diante de acontecimentos chocantes como as guerras. Muitos perecem, alguns perdem a fé, mas fé é a palavra forte no oriente médio, e apesar de todo sofrimento, o povo ainda a mantém.
Khaled Hosseini não nos poupa do sofrimento ao contar a história de Amir e Hassan. Culturas tão diferentes ao redor do mundo também podem nos chocar. Ficamos inconformados com o papel da mulher, mas bem pior é a segregação racial, a submissão passiva, a lealdade, sentimentos contraditórios entre dominador e dominado. E o mal, personificado na figura de Assef. Um adorador de Hitler. Fico imaginando quanto de verdade há na interpretação da ideologia Talibã. Quando nos deparamos com a dor, tratamos de descrever o mal que a causou, divulgá-lo, e nada melhor que associá-lo ao personagem que mais caracterizou o demônio na face da terra.
Não há dúvida de que a crueldade gratuita aplicada pelo Talibã é intolerável, como também é intolerável a interferência maligna de outras potências na vida afegã. Apenas imagino que todo povo tem uma motivação para as escolhas que faz, e muitas dessas escolhas não consideram o ser humano. A individualidade é anulada em nome de algo "maior", invariavelmente dinheiro e poder.
Apesar disso, existem as ligações, as teias sociais que se tornam frágeis em tempos de guerra, mas com alguns elos inquebráveis. O aço que reveste esses elos, é a amizade, e a coragem de mantê-la e lutar por ela. Mas em se tratando da humanidade, há mais fraquezas do que coragem, e terminamos por cometer atos que, quando temos valores, irão nos assombrar por muito tempo. Nada mais difícil de esquecer do que o sentimento de culpa. Não importa se causamos algum mal, mas se acreditamos nisso, basta para que carreguemos esse peso até conseguir canalizá-lo.

